{"id":158,"date":"2016-08-21T21:55:03","date_gmt":"2016-08-21T21:55:03","guid":{"rendered":"http:\/\/imprensa.institutomais.org.br\/?p=158"},"modified":"2016-08-21T21:55:03","modified_gmt":"2016-08-21T21:55:03","slug":"olimpiadas-rio2016-licoes-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imprensa.institutomais.org.br\/?p=158","title":{"rendered":"OLIMP\u00cdADAS RIO2016: LI\u00c7\u00d5ES DE VIDA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Yusra Mardini, nata\u00e7\u00e3o, Delega\u00e7\u00e3o dos Refugiados<\/strong><br \/>O mundo s\u00f3 tinha olhos para uma \u00fanica raia na disputa dos 200 metros borboleta, no \u00faltimo s\u00e1bado (6\/8): Yusra Mardini era a primeira atleta a competir pela in\u00e9dita Equipe Ol\u00edmpica de Atletas Refugiados. O que conquistou o cora\u00e7\u00e3o de todos n\u00f3s n\u00e3o foi tanto sua performance, mas sua trajet\u00f3ria para chegar at\u00e9 l\u00e1. H\u00e1 nove meses, a jovem de 18 anos fugiu da S\u00edria com a irm\u00e3, Sarah, para sobreviver \u00e0 guerra civil. Enquanto faziam a perigosa travessia entre a Turquia e a Gr\u00e9cia, o motor do barco em que estavam parou de funcionar e a tripula\u00e7\u00e3o ficou \u00e0 deriva nas \u00e1guas geladas do Mediterr\u00e2neo. Yusra e a irm\u00e3 tomaram a decis\u00e3o de cair no mar e nadar por tr\u00eas horas e meia puxando a embarca\u00e7\u00e3o que levava outros 18 passageiros.<\/p>\n<p><strong>Majlinda Kelmendi, jud\u00f4, Kosovo<\/strong><br \/>&#8220;Ainda existem crian\u00e7as no Kosovo que n\u00e3o sabem se seus pais est\u00e3o vivos. Crian\u00e7as que n\u00e3o t\u00eam o que comer nem livros para ir \u00e0 escola. Eu sa\u00ed desse pa\u00eds para me tornar campe\u00e3 ol\u00edmpica \u2013 isso significa muito\u201d, diz a judoca Majlinda Kelmendi, 25 anos, ap\u00f3s subir ao lugar mais alto do p\u00f3dio na categoria 52 kg e se tornar a primeira medalhista ol\u00edmpica da hist\u00f3ria do Kosovo, pa\u00eds que declarou independ\u00eancia da S\u00e9rvia em 2008. Como a nova na\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o era reconhecida pelo Comit\u00ea Ol\u00edmpico Internacional (COI), nos Jogos de Londres, em 2012, Majlinda teve que competir representando a Alb\u00e2nia e foi desclassificada logo na primeira luta. O reconhecimento do COI s\u00f3 veio em 2014, mas alguns pa\u00edses, incluindo o Brasil, ainda n\u00e3o consideram o Kosovo independente.<\/p>\n<p><strong>Oksana Chusovitina, gin\u00e1stica art\u00edstica, Uzbequist\u00e3o<\/strong><br \/>Aos 41 anos, a atleta mais velha a disputar a competi\u00e7\u00e3o de gin\u00e1stica art\u00edstica est\u00e1 em sua s\u00e9tima Olimp\u00edada. Mas engana-se quem pensa que, tendo como rivais atletas de 20 anos, ela veio ao Rio apenas para participar. A ginasta, que come\u00e7ou sua carreira aos 13 anos, defendendo a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, e tem no curr\u00edculo um ouro por equipes em Barcelona (1992) e a prata no salto em Pequim (2008), continua competitiva em sua especialidade. Nas classificat\u00f3rias, alcan\u00e7ou a nota 14.999, o que lhe garantiu uma vaga na final de salto. E Chusovitina promete fazer ainda mais: quer tentar o salto mais dif\u00edcil da modalidade, o Produnova (ou Salto da Morte), que aprendeu recentemente. \u201cQuando era mais nova, eu n\u00e3o tinha certeza se seria capaz de execut\u00e1-lo. Hoje, estou mais segura das minhas habilidades, ent\u00e3o decidi aprend\u00ea-lo. Na vida, de uma forma geral, gosto de testar coisas novas\u201d, disse em entrevista coletiva ap\u00f3s sua classifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Rafaela Silva, jud\u00f4, Brasil<\/strong><br \/>A primeira medalha de ouro do Brasil nesta Olimp\u00edada n\u00e3o veio de gra\u00e7a. Mulher, negra e da Cidade de Deus, comunidade carente do Rio, Rafa teve que superar muito mais do que sua advers\u00e1ria no tatame. Na \u00faltima Olimp\u00edada, em Londres, a judoca talentosa, que despontou em um projeto social, j\u00e1 era esperan\u00e7a de medalha, mas foi desclassificada logo na primeira luta ao executar um golpe ilegal. Abalada por ver seu sonho desmoronar por uma desaten\u00e7\u00e3o, \u00a0Rafa ainda sofreu com coment\u00e1rios racistas nas redes sociais. Na segunda (8\/8), a atleta transformou toda a m\u00e1goa de quatro anos atr\u00e1s em for\u00e7a, derrotou quatro advers\u00e1rias sob os olhos da torcida brasileira e levou a medalha de ouro na categoria peso-leve, ao derrotar a judoca da Mong\u00f3lia Sumiya Dorjsuren, l\u00edder do ranking mundial. \u201cEssa \u00e9 a resposta a quem disse que jud\u00f4 n\u00e3o era pra mim, que eu era motivo de vergonha para a minha fam\u00edlia e que lugar de macaco era na jaula. A resposta \u00e9 essa medalha no meu pesco\u00e7o\u201d, desabafou a atleta em entrevista coletiva logo ap\u00f3s a vit\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Marta, futebol, Brasil<\/strong><br \/>Marta j\u00e1 ganhou duas medalhas ol\u00edmpicas (em 2004 e 2008) e foi eleita a melhor do mundo cinco vezes seguida, pr\u00eamio concedido pela FIFA. Quem v\u00ea a maior artilheira da hist\u00f3ria das Copas do Mundo de Futebol Feminino e da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira (superando, inclusive, o Pel\u00e9!), n\u00e3o imagina os obst\u00e1culos que ela teve que driblar para conquistar tal posto. A alagoana, de Dois Riachos, deu seus primeiros chutes em um campinho improvisado, demarcado com varetas. Detalhe: Marta era a \u00fanica menina que se atrevia a jogar com os homens. Al\u00e9m disso, jogar futebol n\u00e3o era visto com bons olhos e\u00a0at\u00e9 a sua fam\u00edlia pensava assim. Por isso, tamb\u00e9m sofreu preconceito. Em um campeonato da cidade, houve at\u00e9 um professor que tentou impedi-la de jogar ao lado dos meninos, porque ela era mulher e, quando fazia os dribles, eles se sentiam envergonhados. Com 17 anos, foi escalada para a Copa do Mundo. O desempenho espetacular foi recompensado com um convite para jogar na Su\u00e9cia. Aceitou, mesmo sem saber onde o pa\u00eds estava localizado no mapa. Foi l\u00e1 que ela se transformou no fen\u00f4meno que conhecemos hoje: uma atleta excepcional, cheia de garra, for\u00e7a e determina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Doaa Elghobashy, v\u00f4lei de praia, Egito<\/strong><br \/>Voc\u00ea deve ter visto Doaa, 19 anos, na sua timeline: ela ficou famosa desde que uma foto sua disputando a bola com uma atleta alem\u00e3 viralizou nas redes sociais. O clique mostra que o esporte vence as diferen\u00e7as: a atleta eg\u00edpcia, que \u00e9 mu\u00e7ulmana, aparece de hijab, uma esp\u00e9cie de v\u00e9u sobre a cabe\u00e7a, e com o corpo todo coberto, enquanto a advers\u00e1ria Kira Walkenhorst joga com o biqu\u00edni tradicional. \u201cUso hijab h\u00e1 10 anos e tenho muito orgulho disso. Ele n\u00e3o me impede de fazer nada que eu ame. E o v\u00f4lei de praia est\u00e1 entre as melhores coisas que j\u00e1 me aconteceram na vida\u201d, disse a atleta ap\u00f3s sua estreia, que \u00e9 tamb\u00e9m a estreia do Egito no v\u00f4lei de praia em Olimp\u00edadas. Sua parceira de quadra Nada Meawad, 18 anos, segue uma linha diferente na religi\u00e3o e n\u00e3o \u00e9 adepta do v\u00e9u. No entanto, uma regra da Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Voleibol (FIVB) determina que as duplas vistam o mesmo uniforme, ent\u00e3o Nada joga de cal\u00e7a e mangas compridas como sua companheira. E o que torna a hist\u00f3ria delas ainda mais incr\u00edvel: at\u00e9 um ano e meio atr\u00e1s, nenhuma das duas meninas sequer tinha jogado a modalidade.\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 8pt\"><strong>(Fonte: www.mdemulher.com.br)<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Yusra Mardini, nata\u00e7\u00e3o, Delega\u00e7\u00e3o dos RefugiadosO mundo s\u00f3 tinha olhos para uma \u00fanica raia na disputa dos 200 metros borboleta, no \u00faltimo s\u00e1bado (6\/8): Yusra Mardini era a primeira atleta a competir pela in\u00e9dita Equipe&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[81,79,80,82],"class_list":["post-158","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-institutomais","tag-coragem","tag-licoes-de-vida","tag-sobrevivencia","tag-superacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/imprensa.institutomais.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/158","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/imprensa.institutomais.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/imprensa.institutomais.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imprensa.institutomais.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imprensa.institutomais.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=158"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/imprensa.institutomais.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/158\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":159,"href":"https:\/\/imprensa.institutomais.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/158\/revisions\/159"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/imprensa.institutomais.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=158"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/imprensa.institutomais.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=158"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/imprensa.institutomais.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=158"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}